POEMA A ARTUR DO CRUZEIRO SEIXAS

Das bicicletas abandonadas à beira dos caminhos
escorrem cachos de madressilvas: uma a uma
a flor perdida vai-se entregando
e colhendo
as flores já não são feitas para serem abraçadas
colhidas às ocultas
mas violentadas até se saber para que lado caem
mortas de mordeduras mórbidas e lacustres.

Uma casa um grilo…
uns dentes cerrados a dizer não e sim
alternada e silenciosamente as gaivotas
contam histórias de pasmar — as asas cortadas
e um homem passa na rua a assobiar.

Nazaré, 5 de Agosto de 1971